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PROGRAMAS DE INVESTIGAÇÃO
I - Características da investigação cientifica e tecnológica do Cruzeiro do Sul
II - MODELO ANALITICO - Cruzeiro do Sul – Instituto de Investigação para o Desenvolvimento
III - Resumo dos Projectos de investigação
Páginas (links):
Características da investigação cientifica e tecnológica do Cruzeiro do Sul
Da investigação científica e tecnológica desenvolvida pelo Cruzeiro do Sul denota-se a existência de um conjunto de características específicas que diferencia o instituto da restante produção do conhecimento no contexto moçambicano.
No âmbito da filosofia da ciência
Há de realçar a adopção gradual de uma abordagem crítica ao positivismo que domina as ciências relacionadas com os estudos do desenvolvimento e ao estruturalismo que lhe serve de substrato.
A análise vai-se tornando cada vez mais pós-estruturalista, procurando-se encontrar as tendências de mudança em lugar das relações estruturais fixas, incluir explicações culturais nos modelos analíticos e integrar o imprevisível ou o caos nos modelos normativos pela interacção dos efeitos nos postulados.
No domínio metodológico
Pela complexidade das questões do desenvolvimento e o carácter intra-disciplinar dos estudos realizados as metodologias utilizadas são um combino de metodologias quantitativas e qualitativas. Desenvolveu-se assim como metodologia de trabalho, após a revisão bibliográfica e a visita ao local seleccionado, o lançamento de um inquérito quantitativo sócio-económico seguido da realização de entrevistas com grupos focais, entrevistas semi-estruturadas de natureza qualitativa. Para a análise dos dados recolhidos são usados programas específicos para análises estatística, das redes sociais e do espaço físico através do georeferenciamento dos dados.
Também se tem recorrido ao uso de metodologias participativas, tendo em conta que o uso exclusivo dos métodos participativos pode menosprezar o papel da teoria e da teorização sobre os factos constatados, para além de se incorrer no perigo de se estarem a criar expectativas vãs junto dos entrevistados, uma vez que não somos uma agência de cooperação.
No espaço analítico
Desde o início, o Cruzeiro do Sul definiu ter por ponto de partida analítico a FAMÍLIA RURAL, através de uma abordagem integrada e holística da complexidade da problemática do desenvolvimento, onde o conjunto dos aspectos económicos, ambientais e sociais sejam mais do que simples somatório sectorial das partes da contabilidade nacional.
Com base nos trabalhos de investigação realizados alcançou-se uma concepção de desenvolvimento que abrange sete domínios inter-disciplinares:
Equitativamente distribuído: à partida devem estabelecer-se as bases para que o crescimento económico seja acompanhado de desenvolvimento;
Balanceado no género: a autonomia da mulher nos processos de tomada de decisão no seio da família;
Regionalmente sensível: as assimetrias valorizadas como sinónimos de justiça social, são assimetrias das regiões longínquas e desfavorecidas; o desenvolvimento não tem de passar, obrigatoriamente, por pólos de atracção urbana alimentados pelo suicídio do campesinato;
À escala humana: o aumento de consciência dos direitos de cada um e do respeito pelo direito à diferença é essencial para que o desenvolvimento conte com a participação democrática de todos no exercício do poder;
Culturalmente descentralizado: a descentralização é a afirmação do quadro institucional local onde a cultura da gestão se reforça pela miscisgenação das imposições exógenas do Governo Central;
Participativamente planificado: a necessidade de estabelecer um diálogo entre o conhecimento tradicional e a agricultura intensiva que está fora do alcance do camponês e é não é adequada às condições do meio.
Sustentável: o papel da machamba familiar na produção deve ser valorizado como ponto de partida para as novas tecnologias.
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MODELO ANALÍTICO
O trabalho de investigação levado a cabo na província de Nampula resultou num modelo analítico para o processo de desenvolvimento baseado em quatro eixos:
Taxa de Poupança (TP),
Direitos Fundamentais (DF),
Participação na Tomada de Decisões (PTD)
Tecido Institucional (TI).

No modelo podem ser identificadas duas correlações, a primeira é a que se desenvolve entre o aumento da Taxa de Poupança (eixo TP +X) e a concretização dos Direitos Fundamentais (eixo DF +Y). O aumento da Taxa de Poupança da família rural e da unidade produtiva, em peral, está dependente da escolaridade, da qualidade da água consumida, das condições nutricionais e de saúde, da sanidade do habitat, da equidade inter-geracional do uso dos recursos e do exercício dos direitos. Quanto maior for a concretização dos direitos fundamentais do cidadão, mais valorizados se torna o capital humano e, consequentemente, maior é a poupança da unidade produtiva.
A segunda correlação é a que se desenvolve no sentido inverso. Quanto maior for a Taxa de Poupança, maior é a concretização dos Direitos Fundamentais.
Porém o pleno funcionamento destas duas correlações deriva da consistência do Tecido Institucional (eixo TI –Y) e da Participação activa dos cidadãos nos processo de Tomada de Decisão (eixo PTD –X). Quanto menos obstáculos forem apresentados pelas instituições nacionais e provinciais e pela delegação ou usurpação de poderes, mais rápido se concretizam os direitos fundamentais e maior é a poupança nacional.
A consistência do tecido institucional e a democratização do poder têm relações de causalidade com o desenvolvimento.
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Mais tarde, aquando da participação do Cruzeiro do Sul na Agenda 2025 (Agenda nacional de Desenvolvimento até o ano 2025) este modelo analítico foi adoptado pelo Comité dos Conselheiros e constitui hoje os quatros eixos da Agenda a nível nacional. O eixo Taxa de Poupança foi denominado Economia e Desenvolvimento, o eixo dos Direitos Fundamentais passou a chamar-se Capital Humano, o eixo da Participação na Tomada de Decisão ficou como Governação e o eixo do Tecido Institucional passou a ser Capital Social.
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Resumo dos Projectos de investigação
(1998 – 2007) Redução da pobreza absoluta na zona norte de Moçambique. Em parceria com o Centro de Pesquisa Konrad Adenauer (CEPKA) e a Unidade de Coordenação do Desenvolvimento Integrado de Nampula (UCODIN). Financiado pela Embaixada do Reino dos Países Baixos.
(2000 – 2003) Estudo sócio-económico de base nos distritos de Moma, Angoche, Mogincual e Mogovolas (MAMM) na província de Nampula). Financiado pela SNV Organização Holandesa para o Desenvolvimento.
(2001 – 2005) Iniciativa de Manica-Manicaland para a luta contra a pobreza através de parcerias entre as associações rurais, o sector privado e o estado na província de Manica. Em parceria com a União de Camponeses de Manica (UCAMA), Associação dos Agricultures de Manica (ADAMA), Caritas, Associação do Desenvolvimento Económico de Manica (ADEM), Kwaedza Simukai. Financiado pela Oxfam América.
(2002 – 2005) Apoio à diversificação agrícola nas zonas algodoeiras, distrito de Morrumbala, Provincia da Zambézia. Em parceria com AGRIMO (Companhia Agro-Pecuária de Moçambique Lda), Faculdade de Agronomia e Engenheira Florestal, Technoserve, Vetagro Lda, GAPI Srl, BIM Investimento. Financiado pela União Europeia.
(2003-2005) Estudo do mercado rural de terras em Moçambique. Financiado pelo Ministério da Agricultura.
(2004) Relatório Anual da Pobreza. Em parceria com o G20 grupo de 20 organizações da sociedade civil moçambicana. Financiado pela Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA).
(2004-2005) Estudo do mercado urbano de terras em Moçambique. Financiado pelo Programa Habitat das Nações Unidas.
(2004-2005) Bibliotecas pela internet. Em parceria com EIFL Direct, Open Society Institute (OSI), e EBSCO Editorial. Financiado pela Open Society Initiative for Southern Africa (OSISA).
(2004 – 2006) Corredores de desenvolvimento de Maputo e Limbombos: os desafios de aliar a conservação da diversidade biológica ao crescimento económico. Financiado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) em parceria com o WWF.
(2004 – 2006) O impacto da economia informal na redução da exclusão e da pobreza nos PALOP e suas interacções com a protecção social. Em parceria com o Centro de Estudos Africanos do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), Lisboa. Financiado pela OIT.
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